ANALISES

Bitcoin pode atingir os US$ 100,000 até 2027 segundo especialistas.


Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck gestora que administra cerca de US$ 237 bilhões em ativos, projetou nesta sexta-feira (18/9), em entrevista que o Bitcoin pode chegar a US$ 100 mil já no próximo ano. Partindo da faixa em que a criptomoeda está sendo negociada, entre US$ 77 mil e US$ 78 mil, isso representaria uma alta de cerca de 29%.

A tese: não é sobre blockchain, é sobre dívida pública

O argumento central de Sigel foge do discurso técnico mais comum sobre criptomoedas. Segundo ele, a resiliência do Bitcoin está diretamente ligada às crescentes preocupações com a sustentabilidade fiscal de governos ao redor do mundo em suas palavras, é pouco provável que formuladores de política econômica resolvam essa dinâmica fiscal insustentável, e caso as condições de liquidez se afrouxem, isso funcionaria como um acelerador adicional para o preço do ativo.

Na leitura da VanEck, o Bitcoin estaria deixando de ser um ativo movido majoritariamente por especulação de varejo para se consolidar como uma espécie de proteção macro (hedge) institucional contra o excesso de endividamento soberano um argumento parecido com o que sustenta parte da demanda histórica por ouro.

Os sinais técnicos citados

Sigel apontou alguns elementos de mercado para sustentar a tese:

  • A volatilidade do Bitcoin caiu cerca de 50% em relação a quatro anos atrás, o que, segundo ele, marca uma ruptura em relação ao ciclo anterior do ativo;
  • Opções de venda (puts) estão sendo negociadas com prêmio mais alto que opções de compra (calls) um indicador que normalmente reflete cautela, mas que Sigel interpreta como parte de uma dinâmica que favorece quem aposta na alta;
  • O programa de recompra de títulos do Tesouro americano teria provocado um movimento relevante de fechamento de posições vendidas (short covering) no mercado;
  • Segundo conversas da VanEck com clientes institucionais incluindo consultores de investimento e fundos soberanos, a demanda estaria consistentemente do lado comprador.

O contexto que vale mencionar: o Bitcoin vem de uma queda forte

É importante situar a previsão dentro do quadro mais amplo: o Bitcoin atingiu uma máxima histórica de aproximadamente US$ 126.200 em outubro de 2025. A cotação atual, na faixa de US$ 77-78 mil, representa uma queda superior a 38% em relação a esse pico ou seja, a previsão de US$ 100 mil é, antes de tudo, uma aposta de recuperação parcial, não de um novo recorde histórico.

Vale notar também que a semana da declaração de Sigel não foi trivial para ativos de risco em geral: o Federal Reserve elevou sua taxa básica de juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4%, seu primeiro aumento desde 2023 um movimento que, em tese, tende a pressionar ativos especulativos como o Bitcoin, e que contrasta com a narrativa de “afrouxamento de liquidez” citada por Sigel como gatilho futuro para a alta.

Uma previsão que já vem sendo repetida

Este não é um número novo no discurso de Sigel: ele já havia citado o patamar de US$ 100 mil em abril e voltado a repeti-lo em agosto, quando também mencionou uma meta de US$ 500 mil para 2029. Em outras ocasiões, a VanEck já havia apresentado teses ainda mais ambiciosas, incluindo a hipótese de Bitcoin equivaler a metade do valor de mercado do ouro após o próximo halving (evento programado de redução na emissão de novos bitcoins), e cenários de longuíssimo prazo mencionando US$ 1 milhão por unidade.

O que vale ter em mente antes de levar essa previsão para a própria carteira

  • Previsão de preço de ativo digital não é fato, é opinião qualificada mesmo vindo de um analista respeitado de uma gestora grande, projeções desse tipo carregam incerteza inerente, e o próprio histórico do Bitcoin mostra oscilações de dezenas de pontos percentuais em poucos meses;
  • Interesse comercial declarado: a VanEck administra produtos de investimento em criptoativos (incluindo ETFs de Bitcoin), o que não invalida a análise técnica apresentada, mas é um contexto relevante a empresa tem interesse direto em um cenário de valorização do ativo;
  • A tese de “hedge contra dívida pública” é debatida entre economistas: parte do mercado considera o argumento válido, enquanto outra parte questiona se o Bitcoin de fato se comporta como reserva de valor estável em momentos de estresse fiscal agudo, dado seu histórico de alta volatilidade mesmo em cenários não relacionados a política fiscal.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo, baseado em declarações públicas e reportagem disponível até a data de publicação. Não constitui recomendação de investimento. Criptoativos envolvem risco elevado de volatilidade, consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.