ANALISES

11 de setembro: 25 anos se passaram e seus impactos econômicos, ainda são visiveis.


Por que o World Trade Center, especificamente

O World Trade Center não foi escolhido por acaso, e não era a primeira vez: o complexo já havia sido alvo de um atentado a bomba em 1993, que matou seis pessoas sem derrubar as torres. Para especialistas em terrorismo e para os próprios documentos e discursos divulgados por Osama bin Laden após 2001, a escolha carregava um significado específico: as Torres Gêmeas eram, antes de tudo, um símbolo do poder econômico americano e da globalização financeira que os Estados Unidos lideravam.

Em um vídeo divulgado em dezembro de 2001, bin Laden descreveu os ataques como um golpe direto no centro da economia americana. Anos depois, chegou a afirmar que a Al-Qaeda havia gasto cerca de US$ 500 mil para executar os ataques, contra um custo estimado de mais de US$ 500 bilhões para os Estados Unidos lidarem com o incidente e suas consequências uma conta que ele próprio fazia questão de repetir como métrica de “sucesso” da operação.

Segundo pesquisadores que estudam a estratégia de organizações terroristas, o raciocínio por trás da escolha combina dois fatores: o valor simbólico do alvo (atingir o que representa poder econômico e não apenas causar vítimas) e o valor prático (concentração de instituições financeiras, o que amplificava o impacto). O Pentágono, atacado no mesmo dia, cumpria papel simbólico equivalente para o poder militar americano.

O que estava, literalmente, dentro das torres

O World Trade Center não era apenas um marco arquitetônico era um polo real de Atividade financeira. O complexo abrigava escritórios de bancos, corretoras e seguradoras que operavam diariamente com bilhões de dólares em transações, empregando dezenas de milhares de pessoas ligadas ao mercado financeiro global. Diversas corretoras com sede nas torres ficaram, na prática, impossibilitadas de operar na sequência imediata da tragédia não por decisão estratégica, mas pela perda literal de suas instalações e de parte de suas equipes.

O impacto imediato nos mercados

A reação financeira aos ataques foi, na escala da época, sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial:

  • A Bolsa de Nova York (NYSE) e a Nasdaq nem chegaram a abrir no dia do ataque, e permaneceram fechadas até 17 de setembro quatro pregões seguidos sem funcionar, a maior paralisação do mercado americano desde 1929;
  • Quando os negócios foram retomados, o Dow Jones caiu 7,1% em um único dia, e acumulou queda de 14,1% na semana na época, o pior desempenho semanal da história do índice;
  • O S&P 500 perdeu 11,6% na semana, e o Nasdaq recuou 16%, com perdas de mercado estimadas em US$ 1,4 trilhão;
  • O Federal Reserve injetou bilhões de dólares por dia no sistema financeiro para sustentar a liquidez enquanto os mercados estavam fechados.

O choque não ficou circunscrito aos Estados Unidos. No Brasil, a então Bovespa manteve o pregão aberto por apenas 1h15 no dia do ataque antes de suspender as operações, com o Ibovespa acumulando queda superior a 9% no período — e no dia seguinte, a bolsa brasileira abriu com nova queda de cerca de 10%. Bolsas em Tóquio e Hong Kong também fecharam em forte baixa nos dias seguintes, evidenciando como um choque geopolítico concentrado em um único ponto do mapa se propaga instantaneamente por mercados interconectados.

A lição que atravessa 25 anos

O 11 de Setembro costuma ser lembrado, com razão, por sua dimensão humana e geopolítica. Mas também deixou uma lição duradoura sobre a natureza de mercados financeiros globalizados: eles são, ao mesmo tempo, extremamente eficientes em precificar informação e extremamente vulneráveis a choques que atingem diretamente sua infraestrutura física e humana — não apenas suas expectativas.

Passado um quarto de século, o episódio ainda serve de referência para entender por que certos alvos são escolhidos por grupos que buscam impacto simbólico e econômico simultâneo e por que, quando esses ataques ocorrem, a resposta dos mercados tende a ser mais sobre absorver o choque de forma organizada (mecanismos de liquidez, fechamento temporário de pregões) do que sobre precificar racionalmente, em tempo real, um evento dessa natureza.

Este artigo tem caráter histórico e informativo, com base em registros públicos e declarações amplamente documentadas na imprensa internacional. Não constitui recomendação de investimento.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.